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Una Contabilidade

Fim da escala 6×1: comércio de São Paulo negocia adoção da jornada 5×2

O fim da escala 6×1 no comércio varejista de São Paulo está no centro das negociações entre representantes dos trabalhadores e dos empregadores. A proposta de adoção da jornada 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois dias de descanso por semana, exige mudanças na organização das equipes, nos horários de atendimento e nas escalas de trabalho.

A discussão ocorre em um período estratégico para o setor: a temporada de Natal, quando o comércio costuma registrar aumento na procura por produtos e serviços e precisa reforçar suas equipes para atender à demanda.

De acordo com o cronograma mencionado nas negociações, as novas regras estão previstas para entrar em vigor em 16 de dezembro de 2026. A proximidade dessa data aumenta a preocupação dos empresários com a adaptação das operações, especialmente em relação aos custos com pessoal e à manutenção do atendimento ao consumidor.

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que representa cerca de 500 mil profissionais, negocia alterações nas convenções coletivas de diferentes segmentos, incluindo supermercados, lojas de calçados, floriculturas e atacadistas. As entidades patronais também participam das discussões, mas ainda não há um acordo definitivo para todas as categorias.

Escala 5×2: sindicato defende duas folgas por semana

Entre as principais reivindicações do Sindicato dos Comerciários de São Paulo está a adoção da escala 5×2 para os trabalhadores do comércio. A proposta também prevê pelo menos três domingos de folga por mês, ampliando o período de descanso em comparação com as condições atualmente praticadas pela categoria.

Segundo a entidade, os comerciários têm direito a dois domingos de descanso mensais. Por isso, a ampliação das folgas aos domingos está entre os pontos discutidos nas negociações coletivas.

O sindicato também defende a adoção de sistemas de revezamento em determinados setores. Dessa forma, os vendedores poderiam trabalhar em pelo menos um domingo, conciliando as oportunidades de receber comissões com o direito ao descanso.

O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, afirma que as convenções coletivas estão sendo renegociadas para adequar as condições de trabalho às novas regras previstas.

A intenção, segundo o dirigente, é viabilizar a mudança sem comprometer a continuidade das empresas. Para isso, as negociações devem considerar as características de cada atividade e o porte dos estabelecimentos comerciais.

Redução da jornada de trabalho deve ocorrer de forma gradual

Além da mudança na escala semanal, o cronograma apresentado no texto prevê uma redução progressiva do limite de horas trabalhadas.

De acordo com as informações divulgadas sobre a proposta, a carga horária semanal deverá passar de 44 para 42 horas após o prazo inicial de 60 dias. Posteriormente, em dezembro de 2027, o limite deverá chegar a 40 horas semanais.

Essa transição exige atenção dos empregadores, pois a redução da jornada pode demandar a redistribuição das atividades entre os funcionários e a revisão dos contratos e das escalas de trabalho.

Os supermercados podem estar entre os primeiros segmentos a formalizar mudanças. Conforme as informações das negociações, algumas grandes redes já adotam a escala 5×2, embora isso não signifique necessariamente uma redução da carga horária semanal.

Portanto, será necessário avaliar não apenas a quantidade de dias trabalhados, mas também o total de horas semanais e as condições previstas nos acordos coletivos de cada categoria.

Empresas estudam contratação de funcionários e automação

Para os empregadores, um dos principais desafios é reorganizar as escalas sem provocar um aumento excessivo dos custos operacionais. Entre as alternativas consideradas estão a contratação de novos funcionários, o uso de trabalhadores temporários, a adoção de sistemas de revezamento e a revisão dos horários de funcionamento das lojas.

O assessor jurídico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Fernando Marçal, informa que as negociações continuam em andamento. As assessorias das partes estão trocando minutas para avaliar as possíveis alterações nas convenções coletivas.

Até o momento descrito nas informações divulgadas, as discussões ainda não chegaram à definição de um percentual de reajuste salarial relacionado ao processo.

Segundo Marçal, a mudança exigirá a revisão das cláusulas que tratam das jornadas de trabalho e dos períodos de descanso. Entretanto, o momento de formalização dependerá do avanço das negociações entre os representantes dos trabalhadores e dos empregadores.

Outra possibilidade é ampliar o uso da automação em atividades que permitam a substituição parcial de tarefas manuais. Além disso, determinadas modalidades de jornada e a utilização do banco de horas podem depender de negociação coletiva, conforme as regras aplicáveis a cada situação.

Pequenos negócios podem enfrentar desafios adicionais

A adaptação à nova jornada de trabalho tende a variar conforme o porte da empresa e as características de sua operação.

Pequenos estabelecimentos podem encontrar mais dificuldades, principalmente quando trabalham com equipes reduzidas. Nesses casos, contratar funcionários adicionais, reorganizar turnos ou investir em tecnologia pode representar um desafio financeiro e operacional.

Por outro lado, empresas com equipes maiores podem ter mais possibilidades de distribuir as atividades e organizar escalas de revezamento.

Nesse cenário, as convenções coletivas terão papel importante na definição de condições adequadas para cada segmento. Os sindicatos patronais também poderão orientar os empresários sobre as alternativas disponíveis para cumprir as regras aplicáveis.

Entre os principais pontos que exigem planejamento estão:

  • Folha de pagamento: a contratação de novos funcionários pode elevar os encargos e as despesas trabalhistas.
  • Horários de atendimento: a redução do expediente pode limitar o período disponível para atender aos consumidores.
  • Organização das equipes: a redistribuição dos turnos exige planejamento para evitar falhas na operação.
  • Tecnologia e automação: investimentos podem ajudar a aumentar a produtividade em determinadas atividades.
  • Negociação coletiva: os acordos precisam considerar as particularidades de cada categoria profissional.

Assim, o planejamento antecipado será fundamental para reduzir os impactos financeiros e manter a qualidade do atendimento.

Fim da escala 6×1 pode aumentar os custos no Natal

A proximidade entre as mudanças na jornada e o período natalino é uma das principais preocupações do comércio paulista.

O economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), avalia que a redução da jornada pode elevar os custos do setor justamente quando as lojas precisam manter suas equipes preparadas para atender ao aumento das vendas.

Entre as alternativas estão contratar trabalhadores temporários, reduzir o horário de funcionamento, investir em máquinas e equipamentos ou repassar parte dos custos adicionais aos preços dos produtos.

Entretanto, os efeitos financeiros não serão iguais para todas as empresas. O impacto dependerá do segmento, do tamanho da equipe, dos horários de funcionamento e da possibilidade de ajustar os preços.

Em algumas atividades, como o comércio de medicamentos, por exemplo, a capacidade de repassar aumentos de despesas aos consumidores pode ser limitada pelas regras de preços aplicáveis aos produtos.

Além disso, a redução do horário de atendimento pode prejudicar consumidores que têm disponibilidade limitada para realizar compras presenciais. Como consequência, parte da demanda pode migrar para o comércio eletrônico.

Por esse motivo, os empresários precisarão avaliar cuidadosamente quais mudanças podem ser implementadas sem comprometer as vendas e a experiência dos clientes.

Desempenho do varejo também influencia as negociações

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ocorre em um cenário de desempenho do varejo abaixo das expectativas mencionadas pelos analistas.

Alexandre Maluf, economista da XP, aponta que as vendas do setor ficaram aquém das projeções em agosto. A expectativa era de crescimento de 1%, enquanto o avanço registrado foi de 0,1%, conforme os números citados nas informações que fundamentam esta notícia.

Apesar desse contexto, representantes dos trabalhadores avaliam que o movimento típico do final do ano pode favorecer as contratações e facilitar parte do processo de adaptação.

Segundo Ricardo Patah, o comércio costuma ampliar suas equipes entre outubro e dezembro, período em que as empresas se preparam para atender ao aumento da demanda. A expectativa de vendas mais fortes em dezembro pode contribuir para a absorção de parte dos custos adicionais.

A disponibilidade de trabalhadores também será um fator importante. No entanto, o resultado dependerá da capacidade de cada empresa de ajustar suas operações e manter o equilíbrio entre despesas, produtividade e atendimento.

Redução da jornada pode beneficiar a saúde dos trabalhadores

Além das questões econômicas, a discussão sobre a jornada de trabalho envolve as condições de saúde e bem-estar dos profissionais do comércio.

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo relaciona a redução da jornada à possibilidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e diminuir afastamentos associados a fatores psicossociais.

Segundo Ricardo Patah, a diminuição desses afastamentos pode beneficiar tanto os profissionais quanto as empresas, que enfrentam custos com licenças e dificuldades para substituir funcionários ausentes.

Mais tempo de descanso também pode contribuir para uma melhor conciliação entre trabalho e vida pessoal. Contudo, os efeitos dependerão das condições efetivas de implementação da jornada e da organização do ambiente de trabalho.

O que as empresas precisam fazer para se preparar?

Diante das possíveis mudanças, os empresários devem acompanhar as negociações coletivas e avaliar antecipadamente os impactos sobre suas atividades.

Entre as principais medidas de preparação estão:

  1. Revisar as escalas atuais: identificar quais equipes e horários precisarão de ajustes.
  2. Avaliar os custos trabalhistas: calcular os possíveis impactos de novas contratações e da redistribuição das horas.
  3. Consultar as convenções coletivas: verificar as regras específicas aplicáveis à categoria profissional.
  4. Planejar o atendimento: avaliar alternativas para manter a operação durante os períodos de maior movimento.
  5. Buscar orientação contábil e trabalhista: analisar os efeitos financeiros e as obrigações legais decorrentes das mudanças.

Essas medidas podem ajudar as empresas a tomar decisões mais seguras e reduzir o risco de problemas durante a transição.

Conclusão

O fim da escala 6×1 e a possível adoção da jornada 5×2 representam mudanças importantes para o comércio varejista de São Paulo. Embora a ampliação do descanso possa beneficiar os trabalhadores, a implementação também exige planejamento, revisão das escalas e avaliação dos custos operacionais.

Para os pequenos negócios, o desafio pode ser ainda maior devido às equipes reduzidas e à menor capacidade de absorver despesas adicionais. Por isso, acompanhar as negociações coletivas e buscar orientação especializada será fundamental.

Com a proximidade do Natal, o planejamento ganha ainda mais importância. As empresas precisarão conciliar o cumprimento das regras aplicáveis, a organização das equipes e a manutenção da qualidade do atendimento aos consumidores.

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